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De volta a Idade do Metal

Os anos se passaram e muita coisa continua boa para apreciadores do rock pesado. Logico que nossa cabeça é mais arejada hoje em dia e ouvimos de tudo, como deve ser. Música boa também é o momento em que ouvimos.

07/03/2021 17h53 Atualizada há 2 meses
Por: Carlos Leen
A capa do icônico disco
A capa do icônico disco "The Number of The Beast", da banda britânica Iron Maiden

E no melhor estilo “teu passado te condena” resolvo relembrar alguns coisas da vida e que atire a primeira pedra quem nunca, quando adolescente, incorporou ou viveu alguma modinha e ou estilo extravagante.

Imperatriz nos anos 90 existiam bem menos coisas pra se fazer. Um garoto entrando nos seus 10 anos (que é mais ou menos a idade mental pra se gostar de heavy metal) não tinha lá muitos opções de distração e cultura.  Felizmente para alguns frequentadores de banca de jornais, publicações variadas davam um norte do que fazer, assistir e ouvir.

Foi nessa fase da vida que me chegou via amiguinhos da vizinhança uma fita cassete com gravações varias de bandas como Sepultura, Faith no More, AC DC, Metalica e Billy Idol. No extinto Cine Marabá tínhamos em cartaz clássicos do horror como “A volta dos Mortos Vivos”, “Heilraiser (Renascido do Inferno) ” e a “A Hora do Pesadelo III”.

Logo eu estava inebriado pelos estilos de rock mais pesado e claro, já tinha descoberto uma “galerinha” que curtia as mesmas coisas.

Em uma época em que não havia internet, a Banca do Chico era nossa ligação com o mundo lá fora e os mais jovens de hoje em dia nunca saberão a dificuldade (e a alegria) de conseguir algum tipo de material, seja discos ou fitas cassete das bandas e estilos lá de fora.

Em uma época em que não havia internet, a Banca do Chico era nossa ligação com o mundo lá fora e os mais jovens de hoje em dia nunca saberão a dificuldade (e a alegria) de conseguir algum tipo de material, seja discos ou fitas cassete das bandas e estilos lá de fora.

Naquela época tinha um ritual que eu chamo de “audição comunitária” . Era quando uma das pessoas do grupo adquiria um disco novo. Íamos todos pra casa do sujeito para ouvir, conversar, opinar sobre o som da banda. Hoje em dia os jovens sequer conseguem ouvir um disco inteiro e mesmo antes da pandemia ninguém mais se reúne pra simplesmente botar um disco pra rolar e ouvir com os amigos.

Tinha uma banda chamada Dorsal Atlântica que era do Rio de Janeiro (eu acho), muito boa. Destaque também pra bandas gringas Celtic Frost, Judas Priest, Slayer e MotorHead dentre outras. Do Piauí tínhamos a excelente Megahertz com seu trash metal trampado. Destaque pra banda Stress de Belém do Pará, pioneira nacionalmente no estilo pesado. Aliás o Stress é considerada a primeira banda a lançar um álbum de metal do Brasil. E é daqui do lado da gente.

Os anos se passaram e muita coisa continua boa para apreciadores do rock pesado. Logico que nossa cabeça é mais arejada hoje em dia e ouvimos de tudo, como deve ser. Música boa também é o momento em que ouvimos.

Fiz um texto outro dia dizendo que o Metálica era chato pra caralho. Mas re-ouvindo esses dias afirmo que os primeiros álbuns são até decentes, pelo menos do Black Álbum pra trás. Acho que vou maratonar essas pérolas.

A última coisa que eu achei relevante deste estilo "metaleiro de rock pesado" foi o álbum “Roots” do Sepultura, de 1996. De lá pra cá algumas bandas lançaram bons discos mas é só. Nada que desse tesão de verdade.

Hoje em dia, Odair José é a coisa mais underground que existe no mundo.

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