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Caminhoneiros: Áudios chamam Bolsonaro de frouxo por pedir fim de bloqueio

Caminhoneiros: Áudios chamam Bolsonaro de frouxo por pedir fim de bloqueio

09/09/2021 14h03
Por: Carlos Leen
Caminhoneiros: Áudios chamam Bolsonaro de frouxo por pedir fim de bloqueio

Caminhoneiros que trancam rodovias em apoio a Jair Bolsonaro se dividem diante do áudio do presidente pedindo para que voltem ao trabalho, divulgado nesta quarta. Parte não acredita e acha que a mensagem é falsa, outros avaliam como uma estratégia para que ele justifique o uso das Forças Armadas nas ruas e há quem defenda simplesmente que o governante está sendo "frouxo" após ter começado um "treta".

Pelo menos é o que mostram áudios de grupos de caminhoneiros em aplicativos de mensagens aos quais a coluna teve acesso. Grupos estão trancando rodovias em 15 estados no rescaldo das manifestações golpistas de 7 de setembro puxadas pelo presidente. Com isso, cidades já registram desabastecimento de combustível e aumento no preço da gasolina.

"Sinceramente, se nosso presidente falou isso, se o Tarcísio [de Freitas, ministro da Infraestrutura] falou isso, estão sendo muito frouxos. Começa uma treta, não consegue manter? São frouxos! A gente está com eles, e agora começando uma treta que os caminhoneiros não vão parar tão cedo. Agora, já que falaram pra caralho, assume a porra da bucha!", afirma um dos áudios, representativo desse posicionamento.

"Tamos com eles, não largo mão, tamo junto… Só que começaram com uma classe que não vai parar tão cedo. Agora segura firme, porra!"

Pautas como a redução no preço do combustível e outros direitos da categoria estão listadas em reivindicações, mas, ao contrário do movimento de maio de 2018, a principal demanda agora é política. Os paralisados apoiam Bolsonaro e pedem o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional. São caminhoneiros autônomos, mas também empresas ligadas ao agronegócio.

"Fala para os caminhoneiros aí que eles são nossos aliados, mas esses bloqueios aí atrapalham a nossa economia. Isso provoca desabastecimento, inflação, prejudica todo mundo, em especial os mais pobres. Então, dá um toque nos caras aí, se for possível, para liberar, tá ok? Para a gente seguir a normalidade", afirmou Bolsonaro em um áudio enviado à categoria nesta quarta (8).

Ele ainda disse que é para os caminhoneiros deixaram as discussões políticas serem tratadas em Brasília. Tarcísio teve que gravae um vídeo para atestar que o áudio é realmente de Bolsonaro.

Há caminhoneiros que duvidam que o áudio do presidente pedindo a volta ao trabalho seja real e não resultado de alguma fake news. Ironicamente, o uso de áudios falsos distribuídos em aplicativos de mensagens foram uma das armas utilizadas pelo bolsonarismo na eleição presidencial de 2018.

"O presidente tem total liberdade de falar em cadeia nacional. Se ele tiver que mandar um recado, ele vai abrir o canal dele, vai falar para gente o que precisa falar. Porque tem muita gente que imita a voz do Lula, do Bolsonaro, que qualquer pessoal. E acaba sendo fake news", afirma, por exemplo, um dos áudios.

"Então não vamos acreditar nessas coisas não. Vamos ficar tudo paralisado certinho e vamos esperar o que o presidente vai falar. O que ele falar, a gente vai cumprir. A gente não tá fazendo essa greve para isso?", completa.

Também há um subgrupo que acredita que isso pode fazer parte de uma "estratégia" de Bolsonaro para colocar os militares na ruas sob a justificativa de garantir o funcionamento do país, utilizando um decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem).

Uma das principais demandas dos bolsonaristas mais radicais é um golpe com a ajuda das Forças Armadas para emparedar os poderes Judiciário e Legislativo e garantir que o presidente governo ao arrepio da lei.

Entre aqueles que acreditam na tese de Bolsonaro estar colocando em curso uma estratégia, há os que confiam que ele nunca trairia o movimento, uma vez que foram caminhoneiros que ajudaram a elegê-lo.

Por exemplo, um dos áudios afirma que esse "abandono" seria "covardia" ou loucura.

"Se falou, é estratégia, entendeu. Ele não vai abandonar, não. Ele não é doido, cara. Ele sabe que quem apoiou para colocar ele lá foram os caminhoneiros. É quem mais deu apoio a ele. Ele não vai fazer essa covardia, ele não é doido, não é doido… Não acredito que ele faça não", diz.

(Leia a íntegra do texto no post do Blog do Sakamoto)

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