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Há trinta anos o icônico disco “Nevermind” do Nirvana sacudia a poeira do rock e revolucionava a música

Há trinta anos o icônico disco “Nevermind” do Nirvana sacudia a poeira do rock e revolucionava a música

25/09/2021 17h13 Atualizada há 1 mês
Por: Carlos Leen
Há trinta anos o icônico disco “Nevermind” do Nirvana sacudia a poeira do rock e revolucionava a música

Em setembro de 1991, era lançada pela gravadora Geffen Records o segundo álbum da banda norte-americana Nirvana, intitulado “Nevermind” (em português algo como “deixa pra lá).

 

Não vou cair na tentação de imitar muitos jornalistas que escrevem sobre isso e comentar “onde eu estava a primeira vez quando eu escutei este disco.”

 

Alguns da mídia especializada atual, estão a querer dizer que “ah banda e a gravadora sabiam que o disco ia explodir”. Que nada ! Não sabiam mesmo. Vivi a época. Sou testemunha ocular.

 

Kurt Cobain & Cia eram punks e toscos na maior acepção do termo e não almejavam mais do que pagar seus aluguéis e comprar umas cervejas com a venda do disco.  Para se ter uma ideia a gravadora prensou na época cerca de quarenta mil copias de “Nevermind”, e cerca de dois milhões de cópias para um disco de outra grupo mais famoso na época, um tal de “Use your ilussion’, da banda Gun’s in Roses.

 

Os números não são exatos, mas cerca de 35 milhões de cópias de Nevermind foram vendidos mundo a fora até hoje. Algo como se fosse vendido pelo menos hum milhão e cem mil cópias por ano. O disco foi contemplado com o selo de disco de diamante pela  Recording Industry Association of America (RIAA).

 

Os números são impressionantes e o Nirvana desbancou até mesmo o rei do pop Michael Jackson e blá blá blá blá.

 

Para além desses extraordinários números, temos um trabalho feito por jovens na casa dos vinte e pouco anos, quebrando uma série de convenções da época, mudando o comportamento de uma geração inteira que decidiu aderir ao visual desleixado de roupas comuns do dia – a dia e pegar num violão pra aprender os acordes de músicas como “Come as you are” ou da icônica “Smells like teen spirit”

 

Aliás o clip dessa música é algo que ajuda em muito a entender o sucesso estrondoso do Nirvana. Era o momento de ascensão da Music Television, MTV, apresentadores de televisão falando de clips com uma linguagem de jovem para jovens. Algo novo e inusitado em uma época pré-internet.

 

A história do gênio por trás das letras e músicas do Nirvana é bem triste. Kurt Cobain iria se suicidar com um tiro na cabeça em 1994 e isso de fato pode ter ajudado também nas vendas de “Nevermind”. O público tende a “romantizar” essas coisas (artista, jovem, bonito, promissor, se entrega as drogas e morre prematuramente). Opino que não existe nada de romântico na trajetória de Cobain.

 

“Sonoramente, o Nevermind sobreviveu muito bem. Além de ter boas canções, e diferentes umas das outras, tem ataque e energia”, concorda o jornalista André Forastieri, autor do livro de ensaios “O dia em que o rock morreu”, em que relata a entrevista que fez com Kurt Cobain no Brasil, em 1993.

 

Forastieri crê que o Nirvana “foi a última banda de rock que importou, porque foi a última antes da internet. O disco saiu em 1991, e cinco anos depois, o mundo já era completamente diferente. O papel do rock como transmissor de tudo o que é ‘novo’ não foi ocupado por um gênero, mas por uma plataforma digital. E o Nirvana é um divisor de águas disso.”

 

A icônica capa de Nevermind, do Nirvana

 

Imperatriz, 1994

 

"Nevermind" só seria oficialmente lançado no Brasil em 1992. Muitos fãs mais endinheirados tinham cópias importadas. Fitas cassetes piratas circulavam e eu tinha uma delas, comprada a duras penas em São Luis.

 

Em 1994 a banda já estava hiper estourada por aqui com sucesso de público e crítica - o que motivou o cantor Wilson Zara a fazer um acústico de canções do Nirvana no Teatro Ferreira Gullar. A banda de acompanhamento tinha o guitarrista Magoo e depois do do show, resolveu ele mesmo cantar as músicas e liderar o Nirvana Cover imperatrizense.

 

Hoje em dia, Magoo ainda toca na noite e gerência um bar, pub, localizada na Av. Pedro Neiva de Santana, o “Rock in Cordas”.

 

Se você é fã novo ou das antigas ou curte parte disso, dê um pulo por lá.   

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