Política PEC dos Precatórios

Aprovação da PEC do Calote na Câmara dá o tom de como será a batalha da retórica ano que vem

A lição que fica é de que não basta ter um governo ruim e desgastado. É preciso também saber vencer na retórica. E que esta retorica seja capilarizada ao conjunto da sociedade.

11/11/2021 11h59 Atualizada há 4 semanas
Por: Carlos Leen
Bolsonaro está disposto a manter a relação promiscua com o Centrão
Bolsonaro está disposto a manter a relação promiscua com o Centrão

Arthur Schopenhauer em seu célebre tratado de “como vencer um debate sem precisar ter razão” cita a estratagema de pegar afirmações do seu oponente e interpretá-la da maneira mais ampla e generalista possível para exagerá-la.

Recomendação nada ética, porém, cabível dentro de um contexto onde o que menos se preza seja a moral e a coerência.

O debate sobre a PEC dos Precatórios,  vencido em segundo turno pela ala governista na Câmara Federal, pouco teve haver com o zelo com mais pobres e mais haver com os interesses fisiológicos em ano eleitoral.  Basta ver a desfarçatez como deputados bolsonaristas e divulgadores profissionais de fake news roubaram da oposição o debate legitimo acerca da necessidade de ampliação do “teto  de gastos”.

Este congelamento insano dos investimentos do poder público na melhoria da sociedade por cerca de vinte anos era alvo contumaz da oposição. A ala governista do congresso soube habilidosamente usar parte deste discurso e com isso vencer na batalha retórica -  na melhor forma schopenhaueriana, onde nem sempre vence quem tem razão.

A aprovação da PEC que só garante recursos para o ano eleitoral e austeridade para pós eleição é ruim para os trabalhadores - sobretudo da educação - e muito mais ruim para a vida do povo. Serviu para demonstrar como Bolsonaro está disposto a manter a relação promiscua com o Centrão, desde que estes lhe façam o melhor da velha política do toma lá da cá.  A matéria segue agora para o Senado. E que morra lá.

A lição que fica é de que não basta ter um governo ruim e desgastado. É preciso também saber vencer na retórica. E que a retorica seja capilarizada ao conjunto da sociedade. Nas ruas, nas praças, nas filas onde se aglomerarão o povo na porta da Caixa para receber o auxílio.

Serão dias de muita luta, com o céu ainda nublado. Nos atentemos a isso.

Retrocesso

O Auxílio Brasil, reduziu o número de brasileiros atingidos e, de prático, tem apenas data de duração: só até as eleições do ano que vem. Ele substitui o Bolsa-Família, que tirou da extrema pobreza milhões de brasileiros e foi elogiado no mundo inteiro por quem se interessa em preservar vidas.

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